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Débora Fortes

17
mar

Limonada de coco, receita colombiana

As ruas de paralelepípedos de Cartagena e o mar de sete cores de San Andrés são as duas memórias mais inesquecíveis da minha recente viagem à Colômbia. Mas, se alguém me pedir para eleger um sabor, não tenho dúvida: será a limonada de coco, a receita mais refrescante dos colombianos.

Meu primeiro encontro com a bebida não podia ser mais perfeito: foi no lobby do hotel, depois de dois voos e horas de viagem. No check-in, gentilmente nos ofereceram um drink de boas-vindas, sem álcool. Era a lemonada de coco con herbabuena (a nossa hortelã). Foi uma paixão instantânea – virou uma obsessão experimentá-la em cada restaurante que visitei.

Logo tratei de ir investigar a receita com os locais, e sua base não poderia ser mais simples: limão, coco, açúcar e gelo. Exceto por um ingrediente que não temos aqui no Brasil, a crema de coco. “Não adianta usar leite de coco, não fica igual”, me advertiam os colombianos. Então, fiz uma escala no supermercado e comprei três latinhas do creme para trazer na mala – cada uma custou cerca de 6 reais.

Alguns colombianos fazem seu creme de coco em casa mesmo, fervendo o coco ralado e açúcar por várias horas. Para quem quiser se aventurar, encontrei esse vídeo bonitinho no YouTube – de uma senhorinha que faz a receita a olho. É uma graça.

Cartagena

Mi Cartagena querida: o cenário ideal para uma limonada de coco

E agora aqui vai a receita da limonada, numa proporção suficiente para umas seis tacinhas. No liquidificador, junte três copos grandes cheios de gelo, o suco de três limões espremidos e 200 ml de crema de coco. Basta bater tudo até o gelo quebrar e voilá!

A receita que fiz aqui em casa teve o mesmo toque do hotel de Cartagena onde provei a limonada pela primeira vez: ao final, acrescentei algumas folhinhas fresquinhas de hortelã, colhidas na minha horta, e bati por mais alguns segundos.

Na hora de servir, a sugestão é enfeitar as taças com rodelas de limão ou raminhos de hortelã. Taí um jeito fácil e charmoso de se refrescar no calorão – ou, melhor ainda, de se teletransportar para as adoráveis ruas de Cartagena.

 

 

31
jan

Como cozinhar como um tailandês

Como contei para vocês no último post, a experiência gastronômica mais bacana que tive na Tailândia foi fazer aulas numa cozinha sem paredes, toda aberta e cheia de apetrechos – e aprender a cozinhar como um tailandês. Fiquei devendo mostrar um pouco mais dessa aventura.

Muita gente me pergunta onde encontro indicações para os cursos que faço nas viagens. Não tem uma fórmula única: pode ser a dica de um amigo, alguma matéria que li ou alguma das minhas (muitas) investigações online. Foi esse o caso na Tailândia. Uma turma de amigos já tinha me indicado um curso bacana para fazer em Phi Phi. Mas acabei descobrindo outro antes, em Krabi, que me deu vontade de fazer – com o estímulo extra de que o dia seguinte não ia dar praia, porque estava prevista uma chuva pesada. Os reviews no Trip Advisor eram empolgantes, e a escola estava a menos de um quilômetro do hotel. Escolhi quatro pratos que queria aprender e me inscrevi. O nome da escola é Zest.

Comida tailandesa - Chef Sonthaya

O chef Sonthaya colhe alguns dos temperos em sua própria horta, nos fundos da cozinha

A experiência começa às oito da manhã. O próprio chef – o simpático Sonthaya – busca o aluno no hotel para uma visita ao mercado local. No meu caso, logo entendi que eu tinha praticamente ganhado na loteria. Naquela segunda chuvosa, eu era a única aluna de Sonthaya.

No mercado, o chef fez um detalhado tour comigo e foi explicando os diferentes ingredientes tailandeses. Depois, me deu um tempo para explorar a área sozinha enquanto ele escolhia os ingredientes para os quatro pratos que íamos cozinhar. Aproveitou, também, para fazer as compras para o jantar. Naquela noite, ele ia receber amigos da Suíça para um churrasco de frutos do mar.

Depois, hora de dirigir até nosso QG e trabalhar nas criações. De cara, me apaixonei pela cozinha do chef Sonthaya. Era toda aberta, cheia de utensílios e com um jardim de legumes e temperos ao fundo. O chef me explicou que as cozinhas abertas são uma tradição na Tailândia, pelos cheiros intensos que a comidas exalam – e pela fumaça que podem causar também.

Começamos por um módulo que pedi para acrescentar ao curso, o de carving. Lá, é um costume servir frutas e legumes com cortes especiais, bem desenhados. Sonthaya me apresentou seu kit de facas e começamos a experiência com o alho poró. Depois, pepino, cenoura. Ele explicava e me deixava sozinha praticando. “Só assim a gente aprende”, dizia. Gostei de aprender, mas não é algo que tenho muita paciência para fazer, confesso.

Terminei minhas tarefas e fomos para a etapa de preparo dos ingredientes dos quatro pratos. Na cozinha tailandesa, que exige uma combinação complexa de temperos e itens, é essencial deixar tudo separado e organizado antes de ir de ligar o fogo. Se não, o resultado pode ser desastroso.

Comida tailandesa - Cozinhando na Tailândia

Em meu dia de chef tailandesa, preparando um pad thai na cozinha aberta do chef Sonthaya

Começamos com o green curry, o meu prato predileto. Coentro, pimenta, fingeroot (uma espécie de gengibre), alho, cebola e companhia foram para o pilão – tudo isso tem de virar uma pasta. E dá-lhe força, nada de delicadeza para amassar bem. Descobri naquele dia como erra essencial ter um pilão em casa e, na volta, me dei um de presente de Natal. Além da pasta, deixamos pronta a base de molhos, com molho de peixe, de ostra e açúcar de palma, além de frango, as berinjelinhas, as folhas de manjericão doce…

A dinâmica foi parecida também para a preparação de um dos pratos mais populares da Tailândia, o pad thai, também composto das etapas de pasta e de molho. Minha terceira escolha foi a salada de papaya (que é um mamão verde com gosto bem diferente do que comemos aqui), que é servido em lâminas com cenouras, tomatinhos, temperos (muita pimenta!), amendoins, camarões desidratados. Para o molho, de novo molho de peixe e açúcar de palma, agora acompanhados de suco de limão e molho de tamarindo. O último prato, que a essa altura já era algo simples perto dos dois primeiras, era um frango com gengibre, o menos apimentado. Mal imaginava que em poucos minutos mais meu primeiro banquete tailandês já estaria pronto.

Pratos tailandeses

Voilá, os quatro pratos do curso, decorados com os legumes recortados

Com os ingredientes todos dispostos numa grande mesa, separados por tipo de prato, começamos a etapa do fogão. Em poucos minutos, cozinhamos o green curry, depois passamos para o pad thai e então para o frango com gengibre, em uma grande panela wok. Por último, misturamos os ingredientes da salada. A última etapa era a da finalização, algo importantíssimo para os tailandeses. O chef escolheu diferentes travessas para os pratos e adornamos com os legumes e vegetais que moldamos no início da aula. Voilá! Embalada pelo barulhinho da chuva fui dando a primeira garfada em cada um dos pratos. Todos os quatro estavam impecáveis. Foi um daqueles momentos em que dá vontade de fazer o tempo parar.

Deixo aqui registrado, de novo, o meu obrigada ao chef Sonthaya por compartilhar com gente de tudo mundo as táticas tailandesas de como cozinhar. E, para você, eu deixo a dica, se uma hora dessas passar lá pelas bandas de Krabi.

 

 

Leia também meu texto sobre O Tempero da Tailândia!

7
dez

O tempero da Tailândia

Depois de longas horas de avião até Bangcoc não foram apenas as paisagens e a gentileza dos tailandeses que me conquistaram. Voltei (ainda mais) apaixonada pela culinária e pelo tempero da Tailândia. É uma mistura de cores, aromas e sabores difícil de reproduzir por aqui.
Em duas semanas viajando pelo país pude provar dezenas de pratos diferentes – e fazer um curso com um chef incrível também (mas isso é assunto para um post inteiro, que logo mais preparo para vocês ;-). Hoje quero falar da base e da alma dessa cozinha. Do onipresente pad thai ao marcante green curry não existe receita que não leve uma combinação de temperos – e, claro, de vários tipos de pimentas.
A cozinha tailandesa tradicional é aberta, no quintal, e ali não falta um pilão para misturar os ingredientes. Na base podem entrar alho, cebola, coentro, salsão, cebolinha, manjericão doce, gengibre, fingerroot (um primo asiático do gengibre), casca de limão Kaffir, endro. Tudo bem triturado, com força. E não acredite quando um tailandês diz que economizou na pimenta – deve ter ali pelo menos umas duas unidades de variedades diferentes, o que, para eles, realmente é pouco.
O sabor da comida tailandesa também vem da adição de várias pastas e molhos típicos, como o de peixe, de ostra, de tamarindo. E, assim como na Bahia, o leite de coco é sempre bem-vindo. Eles vendem caixinhas de um litro, como aquelas do leite longa vida. Não tem perigo de ficar encostado na geladeira.
Fried noodle

O melhor fried noodle: labaredas, numa cozinha a céu aberto, para deixar o prato bem crocante

Na longa viagem de volta vim fazendo uma retrospectiva das coisas que mais gostei de comer. Lembrei do meu primeiro green curry de frango num restaurantezinho em Bangcoc em que ninguém falava inglês (para pedir, eu apontava a foto e o número de pimentas…). Também na capital provei, durante tour gastronômico, um tipo de fried noodles (Guay Tiao Kua Gai), que era diferente dos outros, tinha uma consistência especial, super crocante (confira o preparo na foto aí ao lado). Teve também um arroz frito com abacaxi que comi à beira da praia de Lam Tong, em Phi Phi, faminta depois de horas nadando e fazendo snorkel. E, na minha última parada, em Chiang Mai, o destaque foi um frango ao curry servido no coco verde, acompanhado de lassi de manga, num lugar bem escondido, indicado pelo Trip Advisor. E tudo isso me leva a uma conclusão quase óbvia: você volta da Tailândia, mas a Tailândia vem junto com você. Na memória e no estômago.

 

 

2
nov

As sobras da geladeira

Algumas das receitas que sempre fizeram sucesso na minha família têm um componente em comum: aproveitam ingredientes e sobras da geladeira e acabam se transformando em pratos deliciosos. Sempre vem à minha memória o arroz de forno da Vovó. Simples assim: o arroz amanhecido ia para a forma fulgor untada de manteiga e ganhava camadas de queijo, presunto, azeitona, orégano. Ganhei uma forma de presente da minha Vó, que uso para fazer pizza, mas nunca ousei repetir a receita. Mesmo que esteja quase perfeito, o arroz de forno não vai ser o mesmo sem ela.

Há anos, era tradição também a clássica macarronada do domingo, que não era dos meus pratos favoritos… Eu sempre torcia para ficar sobrando bastante porque no dia seguinte ele virava uma fritada, super crocante. Algo que você não encontra em nenhum restaurante. Comida de casa.

Fora da geladeira também há outras sobras. O pão que ia endurecido depois de alguns dias tinha vários destinos. O meu preferido era um bolinho de carne. O pão era amolecido no leite e depois era só misturar a carne, o cheiro-verde, a cebola e o sal. Estava garantido um almoço (ou jantar) feliz.

O pão velho, depois de torrado, também virava uma deliciosa farinha de rosca para fazer, por exemplo, bife à milanesa. Mas também havia a opção de sobremesa: o pudim de pão. Outro reaproveitamento clássico eram as frutas maduras, principalmente as bananas e laranjas que, depois de bem apuradas, viraram doces caseiros incríveis.

Para mim, uma das coisas mais bacanas é o desafio de pegar o que está na geladeira e inventar algo novo, de improviso mesmo. Outro dia, precisávamos fazer uma sopa para atacar a gripe. Na geladeira da casa da minha mãe só tinha ingredientes que estavam longe de uma boa combinação. Mas minha tia Sarah foi para o fogão e transformou abobrinhas, beterrabas, cebolas e ovos cozidos (para fortificar) numa sopa deliciosa e bem temperada para beber na canequinha. Tem sobras que são realmente únicas.

E você, o que tem sobrando agora na sua geladeira? Tem alguma receita especial para aproveitar ingredientes? Compartilha com a gente, nos comentários, aqui no Wondercook!

 

Veja também como fazer 3 molhos a base de mel!

29
set

Uma dose de açúcar (com favas de baunilha)

Algumas das sobremesas que eu mais gosto de fazer coincidentemente (ou não!) levam favas de baunilha. Quando penso no aroma que sai delas lembro dos tempos em que nem sabia como eram em seu estado natural. Nos livros de receita da minha Vó baunilha era sinônimo de essência, aqueles vidrinhos até hoje vendidos no supermercado, com um gosto super artificial. Se já não é fácil encontrar as favas hoje no Brasil, naquela época era quase impossível.

Lojas de ingredientes importados, supermercados gourmet e feiras mais badaladas, como as da Vila Madalena, são opções certeiras para comprá-las aqui. Mas os preços… Já cheguei a pagar mais de 10 reais por uma única fava, e a comparação com os preços de mercados como Paris, Dubai ou Istambul dói. Numa das minhas últimas viagens a Paris trouxe um pacote com 50 favas que saiu por menos de 25 euros. Para quem vai para lá, fica a dica de passar na loja G.Detou, um achado bem no centrão da cidade.

Agora, vamos ao título do post. O que o açúcar e a baunilha tem a ver? Absolutamente tudo. Fiz essa descoberta há exatos cinco anos, quando recebi uma receita de crème brûlèe de um amigo querido dos tempos de faculdade, o Agnaldo. Eu havia comprado um maçarico e estava ansiosa para estreá-lo. No finzinho da receita, o Agui deixou uma dica que ficou para sempre: “Não se esqueça de aproveitar a casca da fava para misturar no açúcar.”

Experimente: depois de fazer qualquer receita com a fava, deixe a casca secar bem e coloque alguns pedaços no seu açucareiro. Toda vez que abri-lo você vai sentir um aroma especial e ganhar muito mais do que algumas calorias.

 

PS: Não demorou para que a receita do Agui virasse a sobremesa mais pedida entre os meus amigos que vêm jantar em casa – e já teve até quem me trouxesse favas de presente de alguma viagem só para garantir a produção regular de crème brûllée ;-).