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junho 2016

23
jun

Compro ou não vinhos em supermercados?


Os supermercados continuam sendo os principais vendedores de vinhos em qualquer lugar do mundo sem dúvida quando queremos muita variedade e bons preços! Cerca de 95% das garrafas compradas pelas pessoas que consomem estes vinhos são consumidas no mesmo dia em casa ou em eventos com os familiares e amigos. A grande questão é: vale a pena mesmo?

Se o objetivo principal é a facilidade associada a variedade e ótimo preço, as redes são opções bem interessantes, principalmente as que possuem espaços dedicados, bem estruturados e até com atendentes treinados para repassar algumas explicações sobre o portfólio que está disponível. A preocupação está ligada às redes que simplesmente colocam os vinhos em suas prateleiras ou gondolas sem qualquer cuidado com o armazenamento, restrição de exposição a luz e temperatura ambiente. Esses cuidados reduzem consideravelmente a probabilidade de abrir uma garrafa de um vinho oxidado!

Como já mencionei, a variedade é sempre muito grande e os preços são bem atrativos, pois o poder de negociação destas redes com os produtores e importadoras de vinhos é pesado! O outro lado da moeda é que as margens também são altas, existem muitos custos administrativos e operacionais e os produtos chegam para os clientes com preços muitas vezes questionáveis. O resumo disso tudo é que vinhos mais simples, que são chamados de combate ou entrada, chegam para os clientes com preços de vinhos intermediários, como os que são vendidos em lojas especializadas e importadoras.

Levando em consideração estes pontos, eu sempre prefiro visitar alguma loja especializada ou de uma importadora para poder escolher com mais calma e carinho os vinhos, tentar escolher opções que são mais interessantes em relação ao custo e sem dúvida alguma negociar os preços! Muitas sempre oferecem bons descontos em várias épocas do ano, principalmente quando chegam novas safras. Um tema também muito interessante é que muitas importadoras não comercializam seus vinhos com redes de varejo e supermercados. Neste caso o acesso às opções diferentes e interessantes é bem maior! Vale muito a pena, acreditem! Por fim, algumas possuem um espaço para degustações, um winebar por exemplo, e você pode experimentar o vinho que vai levar para ter a certeza de que vai gostar quando abrir.  Essa experiência vira um programa muito bacana com os familiares e amigos ou até mesmo sozinho!

Resumindo: eu deixaria a hipótese de compra de vinhos em redes varejistas ou de supermercados para aquelas situações bem emergenciais, reuniões ou festas de última hora e inesperadas e, preferencialmente, em horários em que as lojas das importadoras estão fechadas. Mas essa é a minha opinião!

3
jun

Nossa casa, seu restaurante

JantaAnos atrás, antes das experiências gastronômicas virarem modinha, eu li sobre um casal de brasileiros que oferecia jantares fechados em sua casa ­­– em Paris. Imediatamente, me transportei para esse cenário desconhecido, imaginando como seria montar um negócio assim numa das maiores concentrações de chefs por metro quadrado. E confesso, também, que me deu uma curiosidade imensa de saber como tudo funcionava. Queria eu ter a coragem de abrir minha casa para pessoas desconhecidas, atraídas pela promessa de comer algo diferente.

E um dia lá fui eu para Paris, rumo ao Chez Nous Chez Vous. Ansiedade e expectativa estavam nas alturas. Fui a primeira a chegar, e os chefs Célia e Gustavo Mattos me receberam na sala do seu charmoso apartamento no 15o. arroundissement de Paris. Entre uma taça de espumante e outra, foram chegando todos os “convidados” da noite, mais dois casais e o sobrinho dos chefs, o Juliano, de passagem por Paris. Éramos todos brasileiros.

O menu do jantar é surpresa, e os próprios chefs vão servindo as criações que saem de uma cozinha superequipada. Já surpreendem no couvert. Para cada um dos convidados, o pãozinho acompanha uma manteiga aromatizada de flor de sal de diferentes partes do mundo (a minha era do rio Murray, na Austrália). Depois vem uma sequência de quatro pratos: creme de abóbora perfumado com pérolas de trufas; ovo perfeito com camarões; lombo de bacalhau ao molho de champanhe; confit de pato, cozido lentamente, a 60 graus, por 51 horas. Na França como os franceses e, claro, o cardápio incluiu uma seleção de queijos e ainda duas sobremesas.

Foi uma noite inesquecível. E talvez, também, o jantar mais caro da minha vida, considerando a cotação atual do euro. Com o rateio dos vinhos e espumantes entre todos, foram uns 200 euros (bem mais do que paguei, semanas depois, para almoçar num estrelado do Michelin). Então, um amigo me questionou: você pagou isso para comer num restaurante de brasileiros em Paris? Paguei e não me arrependo. Deixei os euros, mas levei risadas, sabores, alguns amigos e uma vontade imensa de fazer algo assim algum dia na vida.